Apresentação

Este blog faz parte do projeto de monitoria "Saber com sabor: o uso de recursos áudio-visuais e digitais no ensino de Literatura Alemã", coordenado pela Prof.ª Susana Kampff Lages, para as disciplinas da área de Literatura do Curso de Bacharelado e Licenciatura em Letras - Português/Alemão da Universidade Federal Fluminense. O blog tem como objetivo principal ser uma ferramenta de apoio no processo de ensino/aprendizagem dessas disciplinas. Imagens fotográficas e de obras de arte, trechos de peças de música clássica ou popular, trechos de filmes, trechos de obras literárias ou de crítica, traduções e outros materiais pertinentes à cultura literária alemã e aos temas tratados em aula poderão ser postados por estudantes e professores. O blog tende a ser um lugar tanto de diálogo entre docentes e estudantes, quanto de ajuda mútua entre os próprios estudantes, que assim podem trocar experiências de leitura e estudo.

Entrevista com o escritor-visitante UFF - 2016 Hans-Ulrich Treichel: "Existe uma proximidade entre as escritas literária e acadêmica."

 


 

Leia na íntegra aqui:

http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/hans-ulrich-treichel-escritor-professor-talento-nao-fixo-uma-qualidade-dinamica-20286341#ixzz4NN86SguE  

06 e 07.11! Kafka no Globonews Literatura - Entrevista com Susana Kampff Lages 

'Globonews Literatura' celebra o centenário da obra-prima de Kafka

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Livros com grande desconto no Centro do Rio - Não Perca!  

Sim, recentemente nós da Língua e Literatura Alemã, bem como todos das ciências humanas ficamos órfãos da Livraria Leonardo Da Vinci, marco civilizatório do Rio de Janeiro que fechou as portas. No entanto, recebemos a informação de que o antigo centro de cultura, que agora está fechado ainda está repleto de livros novíssimos, principalmente para o estudo de língua estrangeira. 


Uma vez que as editoras não aceitam devolução, os livros estão ainda disponíveis para a compra, só que com grande desconto. 


A senhora Milena Duchaide, proprietária da Livraria, se esforça grandemente para que o material seja encaminhado para instituições ou vendido para mãos interessadas.  Ou seja, é um grande momento para professores e alunos comprarem excelente material didático por ótimos preços. Com certeza, imperdível! 


Contato:

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Ganhadores do concurso Escolha a Capa do Blog: Parabéns!

Nosso sincero agradecimento a todos que participaram do concurso! Parabéns pelo senso estético e pelo conhecimento da Língua e da Literatura alemãs. Todas as pessoas que ganharam, passarão aqui como capas do blog e da nossa página de Facebook. Uma pequena surpresa, anunciamos que só o primeiro lugar ganharia um pequeno brinde, mas o segundo e o terceiro lugares também receberão uma lembrancinha pela participação! Confiram agora as ganhadoras:  

 

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Utilidades Acadêmicas: Conheça a Cartilha do Plágio

Quem escreve uma monografia, seja ela defendendo tese na graduação, mestrado, doutorado, ou o título que for na Academia, sabe muito bem que não deve copiar nada de nenhum trabalho já publicado. "Isso é plágio!", nos dirá a maioria. De fato, em sã consciência ninguém com suas próprias ideias assumiria assim, sem nenhum respeito,  a autoria de outro trabalho acadêmico. Será então que plágio é só a reprodução mecânica, palavra por palavra de um texto? Mas e quando a ideia é a mesma, só mudam as palavras? Já ouviu falar de plágio conceitual? Como alguém de boa fé poderia reproduzir, a mesma ideia de outra pessoa sem saber? E quando eu cito um trabalho que inspirou o meu, como fazer? 


Com um olhar mais atento dá para perceber que são muitas as dúvidas que surgem sobre a questão plágio. Para acabar de vez com essas dúvidas e nos ajudar a encarar de forma consciente o tema, a Pró Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PROPPI) da Universidade Federal Fluminense, associada a Comissão de Avaliação de Autoria do Departamento de Comunicação Social vinculado ao IACS divulga a cartilha sobre plágio acadêmico. De acordo com a o próprio site da PROPPI, que disponibiliza a cartilha: "A cartilha não têm caráter punitivo, e sim preventivo, pedagógico, educativo." Com certeza, uma utilidade pública valiosa para todos nós que frequentamos a Academia. 

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Já sabe da novidade? Literatura (alemã) além das palavras lança concurso cultural inédito - Participe e concorra até dia 15.05.15

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Algumas palavras e uma pequena introdução sobre: Filologia Germânica

Acompanhando os alunos da graduação que neste semestre cursam os Seminários de Filologia Germânica, inicio os trabalhos aqui no blog abordando esse tema tão importante. Conheça agora dicas de páginas virtuais que tratam desse assunto e um material exclusivo desenvolvido para essa postagem. Aproveitem!

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Literatura Além das Palavras em novo espaço: Bem vindo a nossa nova casa!

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Heine por Gabriel Alonso

Divulgação de trabalhos de estudantes de Letras - Alemão da UFF

 Para quem gosta de Heinrich Heine, aqui está uma excelente tradução de um poema.

Boa leitura!


Tradução de um poema de Heine – comentário e análise

por Gabriel Alonso


                                                     Meinen schönsten Liebesantrag

                                                     Suchst du ängstlich zu verneinen;

                                                     Frag’ ich dann: ob das ein Korb sey?

                                                     Fängst du plötzlich an zu weinen.


                                                     Selten bet’ ich, drum erhör’ mich,

                                                     Lieber Gott! Hilf dieser Dirne,

                                                     Trockne ihre süßen Thränen

                                                     Und erleuchte ihr Gehirne.


                                                     Tu procuras me negar

                                                     meu pedido, lido a cor.

                                                    E começas a chorar,

                                                  “É um toco?” digo eu só.

 

                                                   Nunca rezo, então me escuta,

                                                   ó Senhor! ajuda a moça.

                                                  Ao seu cérebro dá cura,

                                                 seca as lágrimas, a poça.


Neue Gedichte, Verschiedene, Clarisse, 1. Trata-se de um poema sentimental-irônico de Heine. A temática básica é a da negação de uma proposta de casamento, à qual o poeta dá um tratamento irônico, como que, ao mesmo tempo, questionando a seriedade do sentimento. A rima de Dirne com Gehirne e a atitude zombeteira frente a Deus são os dois pontos fortes da ironia e servirão de pontapé para a análise.

Dirne poderia ser bem traduzido por rapariga, no duplo sentido de moça/ adolescente do sexo feminino (as duas primeiras entradas no Aurélio) e concubina/ meretriz (as duas últimas entradas no mesmo dicionário). O DWB (Deutsches Wörterbuch) dos Grimm dá, como primeira entrada, virgem, moça (na Idade Média, inclusive, um nome para Nossa Senhora) e, como última, prostituta, meretriz, sentido que é o único sobrevivente hoje. A rima com um objeto tão pouco amoroso como Gehirne (cérebro), ainda mais como última palavra do poema, acaba por quebrar essa aura positiva. Não custa lembrar que a estrutura simétrica trockne/ erleuchte (seca!/ ilumina!; na trad. seca/ dá cura) – süßen Thränen/ Gehirne (doces lágrimas/ cérebro; na trad. lágrimas/ cérebro) em


              “Trockne ihre süßen Tränen

                Und erleuchte ihr Gehirne.”


reforça ainda mais o contraste entre delicadeza espiritual (também erleuchten tem forte conotação religiosa) e materialidade crua, quase científica.

A atitude de se aproveitar de bondade de Deus, usando como justificativa o fato de nunca rezar – a partícula d’rum (traduzida por então) dá essa conotação de “causa/ conclusão” –, é, entretanto, o primeiro indício da ironia no texto. Esse posicionamento cético é tipicamente heineano. Vide, por exemplo, o poema 35 da Heimkehr, no Buch der Lieder, ou as Schöpfungslieder, no mesmo Neue Gedichte, canções de profunda implicação poetológica. O tom popularesco das apócopes e de uma síncope (bet’ por bete, d’rum por darum e erhör por erhöre), além disso, contrastam com o tom elevado do mais bonito pedido de amor (meinen schönsten Liebesantrag), aqui traduzido por lido a cor.[1]

Sobre a tradução, por sinal, procurei dar relevo aos aspectos sonoros e ao efeito geral do poema. Se o texto-fonte foi composto em tetrâmetros trocaicos (– . – . – . – .), utilizei-me da redondilha maior, também de tom popularesco[2], com acentos também regulares (3–7). Trata-se de um aspecto importante, já que essa simplicidade de tom espelha a atmosfera sentimental, e que, no contraste com a reação do eu lírico, confere mais intensidade à ironia. As rimas no esquema ABCB foram transformadas em consoantes ABAB – com dois pequenos deslizes toantes: cor/ só e escuta/ cura – porque, no português, possuem mais sonoridade do que teria o equivalente alemão. Deve-se lembrar que a força dos acentos nas línguas germânicas – que justifica a contagem métrica dita acentual, frente à silábica nas línguas latinas – já por si faz prescindir, em parte, da rima, por conta da musicalidade cadente.

Com relação a decisões pontuais de tradução, a mais marcante é, com certeza, “é um toco?”. Essa foi uma maneira sincrônica, atual – e desviante – de traduzir a expressão secular einen Korb geben/ bekommen (literalmente, dar/ receber uma cesta), que quer dizer rejeitar um pedido amoroso ou de casamento.[3] Minha opção procurou rejuvenescer o texto heineano. Cito Berman (2002: 122): “Arrancado de seu solo, o poema corre o risco de perder seu frescor. Mas o tradutor o coloca na taça da fresca de sua própria língua e ele floresce de novo, como se ainda estivesse sobre o solo materno”. Se se traduz por sobre o Tempo para um determinado tempo, tal escolha se justifica por si própria. Ela possui, entretanto, outras razões teóricas e práticas.

A primeira, com Venuti (1995), que defende a tradução como estrangeirização, como “pressão etnodesviante” (VENUTI, 1995: 20; trad. minha) nos valores (e na língua!) da cultura receptora. É na marca, na cicatriz – para usar a metáfora cirúrgica de Britto (2012: 38) – que se mostra a presença tradutória, a intervenção textual, os percursos da “grande viagem” interlinguística.

A razão prática, por sua vez, está em Vallias (2011: 33), que traduziu 120 poemas heineanos “almejando um tom coloquial com pátina – porém sem poeira ou teia de aranha”. Seus textos dão a lume, no tempo de hoje, um Heine palhaço, bobalhão, altamente moderno, um Heine que faz jus à sua própria poética e usa a fantasia[4] como bobo da corte (“Als Hofnarr [diene dir] meine Phantasie”, Die Nordsee, 1er Zyklus, 1 – Krönung).

Com a mesma visada etnodesviante – e também por efeitos métricos –, justifico o uso de lido a cor por lido de cor. Aí se revela a língua-outra, forçando a estrutura interna da língua-própria. Com relação a essa construção, o “desvio” de sentido não é total, na medida em que o tom de importância pomposa reforça a ironia. Além do mais, o fato de se ler o pedido pode evocar outros sentidos – mais modernos – de Antrag: requerimento, formulário, petição. E – não custa lembrar – toda leitura, mesmo a do “original”, faz-se no tempo (presente).

Por fim, as inversões finais – cérebro no penúltimo verso, poça depois de lágrimas –, como também a do quarto verso (digo eu só por logo que digo) foram constrições do sistema rítmico/ rímico. Se enfraquecem a ironia final, esta vê-se, entretanto, compensada em outros pontos. O resultado final, acreditamos, não é de todo ruim. Mas se trata – obviamente – de um work in progress, cuja tendência é, para jogar com uma phrase de nossos dias, agregar valor (semântico, histórico, etc.).


Gabriel Alonso é estudante de Letras–Português/ Alemão na Universidade Federal Fluminense (UFF). Durante dois anos, desenvolveu pesquisa, com financiamento da UFF, sobre as traduções de Heinrich Heine no Brasil, sob a orientação da profa. Susana K. Lages. O texto aqui redigido resulta de um trabalho experimental de tradução.


Bibliografia:

Em livros:

BARRENTO, João. O Poço de Babel: para um poética da tradução literária. Lisboa: Relógio d’Água, 2002.

BERMAN, Antoine. A prova do estrangeiro: cultura e tradução na Alemanha romãntica. Trad. Maria Emília Pereira Chanut. Bauru: EDUSC, 2002.

BRITTO, Paulo Henriques. A tradução literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

CAMPOS, Haroldo de. Transluciferação mefistofáustica. In: ______________. Deus e o Diabo no Fausto de Goethe. São Paulo: Perspectiva, 1981, pp. 178-209.

VALLIAS, André. Heine, hein?: poeta dos contrários. São Paulo: Perspectiva/ Goethe-Institut, 2011.

VENUTI, Lawrence. The Translator’s Invisibility: A History of Translation. London/ New York: Routledge, 1995.

Em sites:

DWB. Disponível em: http://woerterbuchnetz.de/DWB (acesso em 20/11/2013).

HEINE, Heinrich. Neue Gedichte. Düsseldorfer Heine Ausgabe. Hamburg: Hoffmann und Campe, 1983. 


[1] Sobre erhören, o DWB dá: 1) perceber com o ouvido, audire e 2) preces admittere, exorari, i.e. com o sentido – que é o atual – de atender a um pedido (Bitte, relacionado etimologicamente a beten). É o imperativo usado na liturgia e na Bíblia para pedir a Deus: Wir bitten dich, erhöre uns! (Nós vos pedimos, atendei a nossa prece!). Nossa escolha baseou-se na rima.

[2] V. Barrento (2002: 42): “quatro versos originais com quatro pés trocaicos cada (um pé métrico mais vivo do que o jambo, mais habitual na poesia de raiz popular)”.

[3] Reler o passado em modo sincrônico: “de certo modo, isso é inevitável, pois se a tradução é uma leitura da tradição, só aquela ingênua e não crítica – que se confine ao museológico [...] recusar-se-á ao ‘salto tigrino’ (W. Benjamin) do sincrônico sobre o diacrônico” (CAMPOS, 1981: 188).

[4] DWB, 1a: die schöpferische, besonders dichterische einbildungskraft – a imaginação criadora, especialmente poética.

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Revista Simplicissimus - Clarissa Marinho

O romance O aventuroso Simplicissimus está sendo estudado na disciplina de Literatura Alemã IV. E a estudante Clarissa Marinho produziu um texto sobre a revista que dá nome a este post. A seguir, o texto na íntegra.

 

Universidade Federal Fluminense

Instituto de Letras

Departamento de Letras Estrangeiras Modernas – GLE

Disciplina: Literarura Alemã IV

Professor: Johannes Kretschmer

 

Estudante: Clarissa Marinho

 

Revista Simplicissimus

 

Simplicissimus foi uma revista semanal especializada em sátiras políticas. Sua publicação teve início em 1896 e terminou pouco menos de um século depois, em 1944. O título do periódico teria advindo do clássico picaresco ‘O aventuroso Simplicissimus’, escrito por Hans Jacob Cristoffel von Grimmelshausen no século XVII e o seu conteúdo ousado buscava alcançar a igreja, a moral burguesa, os militares, as autoridades políticas do então Império Prussiano e outros grupos políticos da época.

 

 

 Entre os colaboradores e funcionários da Simplicissimus incluíram Hermann Hesse, Thomas Mann, Gustav Meyrink, Georg Queri, Fanny zu Reventlow, Ludwig Thoma, Jakob Wassermann, Frank Wedekind, Arthur Holitscher, Karl Arnold, Franziska Bilek, Walter Essenther, George Grosz, Olaf Gulbransson , Heinrich Kley, Alfred Kubin, Rudolf Kriesch, Otto Nuckel, Bruno Paulo, Ferdinand Von Reznicek, Erich Schilling, Erich Dolorosamente, Erwin von Kreibig, Wilhelm Schulz, Edgar Steiger Eduard Thony, Robert Walser, Rudolf Wilke, Heinrich Zille, Rainer Maria Rilke, Hugo von Hofmannsthal , Heinrich Mann e Erich Kastner. 

O Bulldog vermelho (das rote Hund) - emblema da revista – foi desenhado pelo cartunista e responsável pela arte das capas, Thomas Theodor Heine.
O Bulldog vermelho (das rote Hund) - emblema da revista – foi desenhado pelo cartunista e responsável pela arte das capas, Thomas Theodor Heine.
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Sobre contos: Material apresentado pela estudante Marina Dupré para a disciplina de Literatura Alemã V, 1º Semestre de 2012

Universidade Federal Fluminense

Instituto de Letras

Departamento de Letras Estrangeiras Modernas – GLE

Disciplina: Literarura Alemã V

Professora: Susana Kampff Lages

Aluna: Marina Dupré Lobato

Data: 27/06/2012


Aschenputtel, Allerleirauh e Das Mädchen ohne Hände:

origens, comparações e interpretações de três contos de Grimm


O conto de fadas

  • Fontes primordiais: oriental, clássica, céltico-bretã (Merege)
  • O estranho, o fantástico e o maravilhoso (Todorov)
  • Mito x Conto de fadas (Bettelheim)

Kinder- und Hausmärchen (1812), Jacob und Wilhelm Grimm

  • Naturpoesie / Volkspoesie (Herder)
  • Grupo de Heidelberg (Clemens Brentano)
  • Estudos folclóricos

Origens de Aschenputtel

  • Yeh-hsien (850 a.C.), Tuan Ch'eng-shih
  • Sakuntala (séc. V), Kalidasa
  • La gatta Cenerentolla (1634), Giambattista Basile
  • Finette Cendron (1697), Marie-Catherine d'Aulnoy
  • Cendrillon ou la petite pantoufle de verre (1697), Charles Perrault
  • Laskopal und Miliwaka (1808), Autoria desconhecida

(in: Sagen der Böhmischen Vorzeit aus einigen Gegenden alter Schlösser und Dörfer)


Origens de Allerleirauh

  • Dionigia e il re d'Inghilterra (1385), Giovanni Fiorentino
  • Belle Hélène de Constantinple (séc. XV), Autoria desconhecida
  • Tebaldo (1550), Giovan Francesco Straparola
  • L'orsa (1634), Giambattista Basile
  • Peau d'âne (1694), Charles Perrault
  • Schilly (1798), Johann Karl Nehrlich

Origens de Das Mädchen ohne Hände

  • Dionigia e il re d'Inghilterra (1385), Giovanni Fiorentino
  • Belle Hélène de Constantinple (séc. XV), Autoria desconhecida
  • La penta mano-mozza (1634), Giambattista Basile

Morfologia do conto maravilhoso, Vladimir Propp

  • Indice Aarne (1910) e Thompson (1928)
  • Funções (ações dos personagens): invariantes (ações) variantes (sujeito/objeto)

Interpretações psicanalíticas

  • Aschenputtel: A rivalidade entre irmãos
  • Allerleirauh: O complexo de Édipo
  • Das Mädchen ohne Hände: O incesto consumado


Referências bibliográficas


BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. São Paulo: Paz e Terra, 2007. (Trad. Arlene Caetano)


CORSO, Diana L. e Mario. Fadas no divã: Psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006.


FRANZ, Marie-Louise von. A interpretação dos contos de fada. São Paulo: Paulus, 2008. (Trad. Maria Elci Spaccaquerche Barbosa)


GRIMM, Jacob und Wilhelm. Grimms Märchen: Vollständige Ausgabe. Köln: Anaconda, 2009.


MEREGE, Ana Lúcia. Os contos de fadas: Origens, história e permanência no mundo moderno. São Paulo: Claridade, 2010.


PROPP, Vladimir I. Morfologia do conto maravilhoso. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. (Trad. Jasna Paravich Sarhan)


TATAR, Maria (Ed. e Trad.). The annotated Brothers Grimm. New York: Norton, 2004.


TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva, 2010. (Trad. Maria Clara Correa Castello)


ZIPES, Jack (Ed. e Trad.). The great fairy tale tradition: From Straparola and Basile to the Brothers Grimm. New York: Norton, 2001.

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Resumo de Juliana Santos, aluna de Literatura Alemã IV, sobre Grimmelshausen e seu "O Aventuroso Simplicissimus"

“ O mundo passa, mesmo quando o homem acredita ter encontrado o seu lugar no mundo” (CARDOZO: 2008, 664)

Johannes Jacob Chistoffel Von Grimmelshausen nasceu por volta de 1621. Sabe-se que a família Grimmelshausen é originária da baixa nobreza turíngia. Perdeu seu pai jovem e morou com seu avô devido ao novo casamento de sua mãe.

Em 1635, o jovem Grimmelshausen é preso e levado para Kassel, onde inicia uma carreira no meio militar como ajudante de regimento, daí para frente, percorre diversos postos, que com o fim da Guerra dos Trinta anos 1649 não lhe acrescentam uma carreira militar, e sim, uma dispensa do serviço militar.

Em 1649, casa-se com Catharina Henninger, muda-se para a cidade de Gaisbach onde exerceu diversas funções ligadas à administração dos bens dos Schauenburg, família de seu antigo comandante em Offenburg.

Durante onze anos ele administra os bens de seu ex. comandante, e com isso, também constrói uma casa para sua família e exerce paralelamente a função de comerciante de vinhos. Desentende-se com os Schauenburg e passa a administrar os bens do Dr. Johannes Küffer, que lhe empresta sua biblioteca.

Em 1666, publica seus dois primeiros livros: o satyrischer Pilgram e Der keusche Joseph, contudo não lucrou o suficiente para sustentar sua família e buscou uma posição que lhe garanta estabilidade financeira. Em 1667 é nomeado prefeito da cidade de Renchen, cargo que ocupou até sua morte em 17 de agosto de 1676.

Como autor Grimmelshausen era adepto de pseudônimos em forma de anagramas, o que culminava em uma diluição da assinatura e um tom satírico. A primeira obra atribuída a Grimmelshausen é o Satyrischer Pilgram (1666), uma espécie de tratado da vida comum, que discute questões como Deus, os homens, o dinheiro, a dança, o vinho, a beleza, os padres, entre outros. Além de textos satíricos, ainda escreveu calendários¹.

A parte mais importante de sua obra são os chamados escritos simplicianos, formados por um conjunto de dez livros, apenas no último livro o autor menciona a possibilidade de reuni-los: O aventuroso Simplicissimus² (livro I ao V, 1668), Continuatio do Aventuroso Simplicissimus (livro VI, 1669), Landstörtzerin courasche(livro VII, 1670) e as duas partes do Wunderbarliches Vogel-Nest: (livro IX e X, 1672 e1675). Nos seis primeiros livros Simplicissimus é a figura central, já nos outros quatro, o cenário da guerra é povoado por outros personagens antes sem tanta expressividade.

A obra de Grimmelshausen é um testemunho da história da literatura, da critica literária e dos leitores ao longo dos séculos, porque a obra é icônica em diversos aspectos, mas principalmente quanto a seu gênero e suas fontes.

Uma das contribuições importantes da obra para a critica literária e para os brasileiros são as alusões feitas a “um certo Brasil”, onde o povo agia de forma animalesca³, estranha e provinciana, como em: “os brasileiros devorem seus piolhos por raiva e por vingança”(Livro II, cap. XXVIII). Assim, o autor deixa claras suas referências aos costumes incomuns nos povos que desconhecia, e ainda traz uma marca característica até hoje do povo brasileiro a saudade: “que recebem os estranhos com lágrima” (Livro VI, cap XIV)

A obra é marcada por uma forte predominância do gênero satírico, devido ao seu afastamento dos textos moralizantes e sua aposta no riso. Embate este que possibilitou a vivacidade da obra nas questões contemporâneas, pois em sua força narrativa estão presentes traços realistas e vários entretecimentos textuais e documentais que endossam o caráter verossímil da narrativa.

Contudo, conforme aponta Cardozo por meio de Borcherdt a temática da guerra é apenas o cenário e não o elemento central da narrativa: “Nesse sentido sem prejuízo de valor cultural e documental que se atribua à obra, a preocupação de Grimmelshausen com a verossimilhança parece orientar-se apenas no sentido de reforçar o impacto. A força de sua narrativa, e não no sentido de selar compromisso com uma certa visão de realidade.” (p.659)

Simplicissimus é uma obra tão rica e aberta a entreteceduras que Cardozo a aponta como destoante dos autores de seu tempo, porque a obra é precursora do romance de formação (no qual é mais incluída): “Mas a dificuldade de enquadrar a trajetória oblíqua e a figura errante do herói grimmelshauseriano nos moldes de um herói em formação como o protagonista paradigmático do Wilhelm Meister de Goethe, logo daria margem à contestação até mesmo desse enquadramento tão produtivo” (2008, 661).

Essa dificuldade acaba oferecendo subsídios para reflexões à cerca das condições de produção da obra. E ainda, apesar de sua obra não se ater às preocupações de moda ou tradição, ela reproduz um pensamento que dialoga com as questões da modernidade por retratar o homem no mundo “O homem de Grimmelshausen é um homem em trânsito, devotado a um mundo que se manifesta em movimento” (CARDOZO: 2008, 662) e a inconstância do mundo “O mundo de Grimmelshausen não é apenas o mundo da guerra, mas um mundo em guerra”(CARDOZO: 2008, 662).


Notas:

¹ é um gênero popular, ao estilo dos almanaques, contendo anedotas, curiosidades, informações astronômicas, astrológicas, climáticas, os santos do dia, previsões adivinhas e pequenas narrativas.

² O livro foi um sucesso instantâneo e não foi assinado pelo autor, mas sim, por um de seus pseudônimos Germam Schleifheim Von Sulsfort

³ Em minha leituras fragmentadas dessa obra no original o verbo fressen é utilizado para se referir aos e à forma como comem, verbo que em alemão somente aplica-se aos animais e sua alimentação.

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Outros Livros 

  • GALLE, H. ; MAZZARI, M. Fausto e a América Latina. São Paulo: Humanitas, 2010.
  • Hrgs. von Joachim Schultz. Essen und Trinken mit Goethe: Mit neun Goethe-Créationen von Marcello Fabbri Meisterkoch im "Elephant" in Weimar. München: dtv, 1998.
  • MATTOS, C.V. Goethe e Hackert: sobre a pintura de paisagem: quadros da natureza na Europa e no Brasil. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008.
  • SÜSSEKIND, P. Shakespeare: o gênio original. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

Bibliografia Básica Indicada

  • CARPEAUX, O.M. Literatura Alemã. São Paulo: Nova Alexandria, 1994.
  • GOETHE, J. W. Die Leiden des jungen Werther
  • JAKOBSON, R. Linguística e Poética. In: ______. Linguística e Comunicação.
  • ROSENFELD, A. Aspectos do Romantismo Alemão. In: ______. Texto & Contexto.
  • WELLBERRY, D.E. Morfismos do corpo fantasmático: "Os sofrimentos do jovem Werther" de Goethe. In: ______. Neo-retórica e desconstrução.Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998.